Ideologia(será que eu quero uma pra viver?)

Uma menina está indo fazer compras no shopping. Como sempre, vai observando destraida a paisagen da janela do onibus,pensando em qualquer coisa fútil de jovem. De repente,BAM!: um outdoor novinho,bem grande, todo colorido... nele uma modelo-provavelmente ex-malhação-(sarcasmozinho,só pra começar!- alta, magra, loura, de olhos azuis posa com uma calsa,de uma grife qualquer,cujo o slogan é:Vestimos a mulher normal(rsrsrsrs,é,bem normal uma mulher magra loura dos olhos azuis num pais latino de heranças africanas!). Juliana é morena, baixa,meio cheinha,mas fica deslumbrada com a calsa mostrada no outdoor,ou isca de otário,pros menos cuidadosos. Ela decide comprar uma igual,isso pra ela já é umaprioridade, nem que para isso tenha de fazer um crediário e comprometer seu salário por alguns meses. Já pensou o que suas amigas diriam quando a vissem dentro de uma calça como aquela,linda e deslumbrante como a modelo do outdoor? E os homens, então?
Você já parou para prestar um pouco de atenção nas propagandas que bombardeiam nossos olhos e ouvidos a todo momento?Já parou pra perceber o quão cínicas são quando dizem que fazem roupas para pessoas normais,mas colocam na propaganda uma modelo de características européias,e corpos quase secos(o que diga-se de passagem,é horrivel).Já pensou na menssagem que os meios de comunicação de hoje-em-dia nos transmitem?Será que isso tudo é pra te deixar linda como a Giselle?Não!Isso é apenas business,e mais nada!
Vamos tomar de exemplo por enquanto a propaganda dos cigarros Free.O foco desses comerciais(cigarro,bebidas alccolicas,etc)é a individualidade,a liberdade,a perssonalidade: cada indivíduo tem sua perssonalidade, no entanto,para afirma-la deve ter sempre a preferencia por aquela determinada marca-O que é curioso,pois que eu saiba individualidade é fazer coisas de acordo com a sua forma de ver o mundo,e não fumar o cigarro que todo mundo fuma,isso pra mim é "Pedir pra ter câncer". A estratégia é a seguinte: se você fuma Free, você é um sujeito livre, criativo, autônomo; um dos comerciais mostra uma garota que se afirma livre e que não tentem tirar a liberdade dela, pois ela morde! "Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum", esse é o slogan. Consumir essa marca de cigarro é afirmar sua independência e singularidade.Vc acredita nisso?
Continuemos com o exemplo das propagandas de cigarro. A marca Hollywood investe na afirmação do sucesso: os comerciais mostram jovens bonitos e sempre bem-sucedidos, induzindo-o a pensar que fumar aquele cigarro fará com que você seja também alguém bonito e bem - sucedido. Já a marca Carlton investe no slogan "um raro prazer"; os comerciais são sofisticados, mostram arte de vanguarda. Essa marca procura investir em pessoas que querem ser refinadas, que ouve, jazz e música clássica, que apreciam balé e arte contemporânea,querendo te fazer acretitar que se vc é assim,deve fumar Carlton.
O que fica bem evidente nos comerciais de cigarro é o fundamento do mecanismo de qualquer propaganda,ou,numa linguagem mais popular,é sempre a mesma coisa!Se sua função é vender um determinado produto, é necessário que você se convença da necessidade de consumi-lo. O convencimento do consumidor é a tarefa básica do marketing. Mas esse convencimento, na maioria das vezes, é feito com base em grossas e deslavadas mentiras (talvez fosse menos pesado falar em criação de ilusões,mas todo mundo sabe que eu não falo assim): não é verdade que você será mais livre fumando Free, ou será mais fumando Hollywood, ou será mais sofisticado se sua "escolha" for o Carlton. De fato, o que mais provavelmente acontecerá é que você ganhará um passeio livre dentro de um hospital,um belo câncer de pulmão e futuramente um sofisticado caixão com qualquer um deles! E as indústrias que os fabricam ganharão muito dinheiro nas costas da sua ingenuidade,ou pra ser mais sincera,necessidade de auto-afirmação,ou pra ser mais sincera ainda,sua INSEGURANÇA.
A essa tentativa de convencer as pessoas por meio de hipocrisia,ou uma "leve"("leve" pra ser bem boazinha)distorção da realidade é o que nós chamamos de ideologia.
De:Manuella Salles